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O termômetro do mercado imobiliário do Espírito Santo não para de subir. Se os números de 2009 foram aquecidos pelos lançamentos do programa do Governo Federal "Minha Casa, Minha Vida", em 2010 o "calor" chegou aos imóveis destinados às famílias de média renda - com renda mensal de R$ 1.064 a R$ 4.591, segundo o IBGE.
O consultor imobiliário José Luiz Kfuri calcula que duas mil unidades serão lançadas neste ano em uma faixa de preços que varia entre R$ 130 mil, teto dos imóveis do "Minha Casa, Minha Vida" para compradores com renda de até dez salários mínimos, e R$ 500 mil.
A explicação para o crescimento está na base do mercado aquecida. Quem morava em um imóvel de dois quartos, com a facilitação do crédito, conseguiu vendê-lo e comprar empreendimento maior e mais bem localizado.
O salto de moradia foi reproduzido pelos compradores de classe média, explica o diretor de planejamento e mercado da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-ES), Sandro Udson Carlesso.
"No final de setembro de 2009, esse comprador começou a voltar para o mercado, ver as ofertas já com intenção de compra em 2010. Neste ano, o mercado vive uma retomada, o volume de vendas cresceu e começamos a ter um fluxo maior", detalha o diretor da Ademi-ES.
Investidores
Outro fator que deve influenciar o número de lançamentos previstos para a média renda é a nova lei do inquilinato. Mais equilibrada e segura para os locadores, a lei - que entrou em vigor este ano - atraiu a atenção dos investidores.
"Os investidores focados nesse perfil buscam apartamentos com valor de aluguel maior. A nova lei vai dar segurança para quem ficou fora do mercado no último ano. Agora, a maior parte deve voltar neste ano, que vai ser o ano da retomada", destaca o diretor da Ademi-ES.
O consultor imobiliário José Luiz Kfuri acrescenta. "O que aconteceu é que todo mundo trabalhou muito no planejamento do "Minha Casa, Minha Vida", até para entender como funcionava. Esse segundo segmento acabou em segundo plano, mas esse segmento é significativo e tem mercado principalmente em Vitória e Vila Velha", relata.
Novidades se concentram em quatro bairros
Itaparica, em Vila Velha; Bento Ferreira e Jardim Camburi, em Vitória; e Manguinhos, na Serra. Esses são os bairros que prometem concentrar os empreendimentos na faixa entre R$ 130 mil e R$ 500 mil, destinados a famílias com renda média. De acordo com o consultor imobiliário José Luiz Kfuri, entre os apartamentos, 60% das unidades previstas serão de dois quartos; 25% de três dormitórios e 15% de quatro quartos. Quanto aos condomínios de casas, os novos lançamentos devem ficar localizados em Manguinhos, Itaparica e Guarapari, segundo Kfuri.
Projetos sustentáveis atraem os novos compradores
A servidora pública Cláudia Campagnaro Machado Dal Moro, 32, é precavida. Ainda solteira, pensando no futuro, comprou um dois quartos em Laranjeiras, na Serra. Pouco tempo depois, conheceu Maicon Dal Moro, que hoje é seu marido.
Com a renda conjunta, foi possível investir em algo maior. Em meio às opções disponíveis, comprou um três quartos em Jardim Camburi, Vitória, com 90m2. Mas nem só o tamanho do imóvel atraiu a compradora.
"O edifício terá água dos chuveiros aquecida por meio de energia solar, ou seja, energia limpa, além de contar com um poço artesiano para irrigação do pomar e a limpeza das áreas comuns. São medidas que devem ser valorizadas porque, além de reduzir os gastos dos proprietários, são os primeiros passos rumo a uma arquitetura sustentável", defende a servidora pública.
Esse novo comportamento do consumidor reforça a análise do diretor de Planejamento e Mercado da Ademi-ES, Sandro Udson Carlesso. "Os imóveis até R$ 200 mil são para recém-casados, com no máximo um filho. É um público jovem, atento às alternativas oferecidas pelas construtoras, como aquecimento solar da água, reaproveitamento da chuva e outras coisas diferentes", pontuou Carlesso.
Promoções
As promoções oferecidas pelas construtoras também atraem os clientes. O apartamento comprado pela servidora pública, por exemplo, veio com os armários já prontos na cozinha.
Quando o assunto são as formas de pagamento, Cláudia destaca a maleabilidade das construtoras. "Eu não podia dar uma entrada muito grande, mas podia pagar uma parcela mais alta", lembra.
A concorrência entre bancos também ajuda os compradores, destaca a servidora. "Ninguém tem condição de comprar um imóvel desses à vista. Com a concorrência, os bancos passaram a oferecer condições muito boas. São convênios, taxas de juros menores, tudo para oferecer uma opção mais em conta", elogia.
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